Meu Jardim Interior — Um mundo de experiências!

POR QUE SER EMPÁTICO EM UM MUNDO CAÓTICO?

25 • 04 • 2017

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Se qualquer pessoa me perguntasse “do que o mundo precisa?” eu certamente responderia: de empatia.

Mas afinal, o que é empatia? Segundo o Aurélio, empatia é a  “forma de identificação intelectual ou afetiva de um sujeito com uma pessoa, uma ideia, uma coisa”. Na tradução literal empatia é você se colocar no lugar do outro, o que lhe ajudará a entender a situação pela qual o outro está passando e desenvolver a empatia. E com ela a gente acaba desenvolvendo uma série de coisas boas: compreensão, paciência, bondade, etc.

Mas por que é que o mundo precisa de empatia, Lilian?

Você já percebeu que o mundo, a cada dia que passa, fica mais violento, insensível, maldoso e mais uma listinha de adjetivos ruins?

Eu moro em São Paulo e, por experiência própria, afirmo que eu nunca vi a cidade ser tão violenta quanto atualmente. Sério. Moro na mesma casa há 21 anos e até uns 4 anos atrás você não ouvia relatos de gente sendo assaltada no meu bairro. Pois é. Mas as coisas mudaram. Outro dia assaltaram minha prima as 15h da tarde, quando ela voltava do mercado. Há dois anos atrás eu fui assaltada enquanto voltava para casa da faculdade. Enfim, não quero que esse post vire um especial do Datena, rs. Mas as notícias estão por toda parte: cada dia mais pessoas sendo assaltadas, cada dia mais pessoas sendo assassinadas sem motivo algum.

Insensível. Todo mundo defende os direitos humanos agora, não é? Não, não é. Atualmente as pessoas usam-se do poder de dar sua opinião para serem rudes, maldosas e ignorantes. Não tá acreditando em mim? Tudo bem! Então leia o post da Maki aqui. A Maki, para quem não sabe, já passou por uns maus bocados e já pensou em se suicidar. Recentemente ela assistiu a série 13 reasons why e escreveu uma matéria com os 6 motivos para você não assistir essa série. Por que a Maki escreveu isso? Porque ela, como uma pessoa que já teve depressão, encontrou uma série de gatilhos que poderiam levar pessoas psicologicamente frágeis a ficarem realmente mal com a série e até a realmente se suicidarem. A opinião da Maki é a mesma que a minha? Bem… Não. Mas eu não precisei colocar um monte de comentários ruins pra registrar minha opinião. Não gostou e quer opinar? Ok! Você pode! Mas ser maldoso com alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua é ser completamente insensível.

Confesso que em meio à tanta maldade eu mesma comecei a ficar um pouco mais fria. Comecei a ser bastante egoísta, sabe? E a só pensar nas minhas razões, nos meus motivos. “Tudo bem eu ter sido grossa com a minha mãe hoje, eu estava de tpm, ela deve me entender”. Não, não está tudo bem. Graças a Deus eu acordei pra vida literalmente. Pra vocês terem ideia eu era meio desligada do aniversário dos outros. Mas me importava de que as pessoas se lembrassem do meu. Contraditório, não é mesmo?

Então decidi que eu queria ser mais humana. Que eu queria me conectar verdadeiramente com as pessoas. E comecei a colocar essa minha vontade em prática. Semana passada dois amigos meus fizeram aniversário. E eu fiz questão de postar uma foto com um textinho sincero. E quem acabou ficando feliz fui eu, quando minha amiga veio me agradecer e dizer que o melhor parabéns que ela tinha recebido tinha sido o meu.

Empatia é sobre se doar ao outro. Mas o que você não sabe é que quando você se doa ao outro, isso retorna para você. É aquela história de que é muito mais gostoso dar um presente do que receber, entende? Porque nada paga ver o sorriso e a alegria de alguém que você ama.

Ser empático nos permite viver uma vida mais plena, feliz e completa. Faz a gente se sentir realizados e gratos. Nos permite realizar conexões sinceras com as pessoas. Quando a gente é empático, a gente realmente ama, pois enxergamos o outro e não só nós mesmos. E a gente percebe, por fim, que cada detalhe importa. Que tudo e que todos importam.

Vamos lutar juntos por um mundo mais empático?

Com amor, Li.

Postado por Lilian

COMO A ANSIEDADE ME AFETA

23 • 04 • 2017

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ANSIEDADE: é um estado psíquico de apreensão ou medo provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa.

Quem aí já sentiu ansiedade? A ansiedade pode acontecer de vez em quando e é normal que isso ocorra. Como por exemplo dias antes de uma viagem muito esperada seu estômago começa a embrulhar e seu coração fica acelerado, você passa a noite anterior ao embarque em claro só imaginando como será; ou antes de uma prova muito importante você rói todas as unhas com medo de não ir bem, etc.

A ansiedade se torna algo perigoso quando ela começa a fazer parte do seu dia-a-dia prejudicando a sua vida e a sua saúde.

Sabe o que a ansiedade faz comigo? Ela me paralisa. Quando a crise é muito forte ela me faz passar mal, do tipo que vomita e a pressão cai. E sabe o que eu faço pra me proteger dela? Eu durmo.

Esse final de semana foi mais um exemplo de como a ansiedade, com todo o respeito, f*de com a minha vida. Quinta-feira terei prova de cálculo e de química e, por isso, tenho que estudar muito. E como sexta foi feriado, teria sexta, sábado e domingo para fazer a lista de exercícios que é a parte mais pesada e durante a semana eu estudaria com mais calma.

Mas… eu fiz isso?

A resposta é: não. Sexta eu fiquei sem fazer nada. Eu dormi demais. Não tinha nada legal nas redes sociais. Aí sabe o que decidi fazer? Faxina no meu quarto. Limpei tudo e deixei cheiroso, com o pretexto que isso me ajudaria a estudar. Não ajudou. Sábado? Acordei cedo e não fiz nada. Domingo? Acordei as 7h, o que pra mim é cedo e fiquei até as 12h implorando pra coragem pra eu começar a estudar!

E foi por isso que decidi vir aqui desabafar com vocês. Porque a ansiedade tá ferrando com a minha vida acadêmica. Eu tenho PAVOR das provas. Dos trabalhos nem tanto, mas das provas… Eu começo a ler os textos e fico frustrada pois acabo não conseguindo me concentrar e as palavras não se fixam na minha mente. Decidi, portanto, que irei procurar por ajuda. Vou realmente procurar um psicólogo pois eu tô é inconformada em como a ansiedade tá afetando absurdamente um sonho que eu ralei muito pra conquistar.

E minha dica pra você é: se a ansiedade está te afetando também, não espere surtar para procurar ajuda. Sério, não tem problema algum pedir ajuda.

Mas a ansiedade não surgiu na minha agora. Ela retornou com forças no final do ano passado, quando saí do meu trabalho para me focar só na faculdade. Eu comecei a me cobrar mais do que deveria. Mas a primeira vez que lembro da ansiedade ter entrado na minha vida foi na primeira vez em que fui ao Hopi Hari. Eu tinha 7 anos e era uma excursão com a escola. E como eu era mais nova, os pais poderiam ir junto se quisessem. Minha mãe quis. O problema foi que quando eu vi que estava chegando, eu estava tão ansiosa, que foi só eu descer do ônibus pra que eu começasse a vomitar todo meu café da manhã e, logo em seguida, desmaiasse. PUFT! Simples assim. Passei metade do dia na enfermaria :/ saí de lá e ainda consegui ir em alguns brinquedos, mas a ansiedade ferrou com um passeio que era pra ser legal.

Quando criança, minha mãe começou a perceber que eu estava dormindo demais e veio conversar comigo. Eu justifiquei dizendo que era somente sono… mas ela me respondeu: “não, você usa o sono como fuga pra escapar dos seus problemas”. E essa frase não saiu da minha cabeça pois, mesmo hoje com 21 anos, continuo usando o sono como fuga.

Só que eu cansei. Cansei da ansiedade ferrar com a minha vida. E é por isso que eu decidi que irei passar no psicólogo. E é por isso que estou escrevendo aqui também, abertamente. Para que você, que sofre com ansiedade saiba que não é besteira. Que ansiedade é um negócio sério (sim, tem um amigo meu que toma remédio tarja preta pra ansiedade) e que a melhor forma de lutar contra ela é confrontá-la.

Vamos confrontá-la juntos?
Para mim, pelo menos, parece bem difícil lutar contra ela sozinha.

Com amor, Li.

Postado por Lilian

O BULLYING E EU

16 • 04 • 2017

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Nunca pretendi escrever sobre bullying. Mas estava eu assistindo um vídeo da Bruna Vieira (esse aqui) quando sem querer querendo me identifiquei completamente com ele. E acreditem, só de começar a escrever esse post, lágrimas já começaram a rolar pelo meu rosto.

Sofri bullying dos meus 7 anos até os 15. E eu não sofri um bullying de leve, não. Durante a minha infância (e todos que estudaram comigo no ensino fundamental irão lembrar) eu era chamada de girafa. Tipo, me chamavam mais de girafa do que pelo meu próprio nome. E tudo isso por que? Porque eu sempre fui a aluna mais alta da turma: mais alta que as meninas E que os meninos também.

E essa impotência de ser chamada de girafa constantemente foi me tornando uma pessoa irritadiça. Porque a brincadeira não acontecia somente na escola, mas acontecia fora da escola também. Certa vez, eu estava viajando com a minha melhor amiga (e eu tinha uns 9 anos nessa época) quando a cunhada dela que era uns 3 anos mais velha que nós começou a me chamar de poste. Ela olhou pra um poste e disse: “olha a Lilian ali”. E eu tentei debater com ela, mas ela e a prima da minha amiga caíram na risada. Minha amiga disse pra eu não ligar… Até que a menina continuou a me zoar e eu fiquei tão nervosa que grudei nela e enfiei minhas unhas na pele dela até sangrar.

Eu estava furiosa. E não estava furiosa só por aquela situação. Eu estava furiosa por anos sofrendo bullying sem eu ter feito algo para merecer aquilo. Qualé! Eles me zoavam pela minha altura. Mas por acaso eu tinha que cortar minhas pernas para que parassem de zoar de mim?

Daí que o tempo foi passando, as pessoas foram crescendo e apesar de eu continuar sendo a pessoa mais alta da sala, as zoeiras pararam. Até que eu tivesse que, no primeiro ano do ensino médio, mudar de colégio. Fui de um colégio particular onde eu havia estudado por 8 anos, para um colégio público pois minha mãe não tinha mais coragem de pagar escola pra mim.

E eu achava que já tinha sofrido bullying o suficiente, né? Sabia de nada, inocente. Neste colégio, fui ao inferno e voltei é a única definição plausível. Fui odiada pelas meninas pois vinha de escola particular. Detestada pelos meninos por ter cara de patricinha e ser inteligente. Minha única salvação ali foram três amigas que fiz. As meninas me excluíram, mas os meninos fizeram coisas bem piores. Eles diziam, toda semana, que iam me pagar na saída. Que não adiantava eu tentar fugir, que eles iriam me seguir. Uma vez, um deles ameaçou tirar o pênis pra fora da cueca e passar na minha cara. OI? Algumas vezes eu ficava quieta e ia pra casa olhando pra trás, pra ver se não tinha ninguém me seguido. Em outras eu começava a chorar na sala de aula e tinha que ir pra diretoria, pra denunciá-los, enquanto a escolta da polícia vinha pra escola e eu esperava todos os alunos terem ido embora pra ir pra casa. E em outras eu simplesmente ficava enfurecida e começava a discutir com eles em plena sala de aula. E eram isso que eles mais odiavam em mim. O fato de eu não ficar quieta.

“Ah Lilian mas vai dizer que ninguém fez nada?”. Não. Tinham algumas pessoas da sala que eram até legais, mas tirando duas amigas minhas que sentavam comigo ninguém ousou rebater o que aqueles garotos cruéis diziam. Eles também tinham medo. Eu tinha medo. Uma das minhas amigas, Gi, começou a sofrer bullying também depois de tentar me defender deles. Dizem que é nessas horas que a gente descobre quem é nosso amigo e acredito que se não fossem por elas eu teria desistido.

Comecei a dormir nas aulas. Eu simplesmente não queria ir pro colégio. Chegava em casa e chorava chorava chorava. Faltava o máximo que podia. Até pouco tempo atrás não podia nem passar na rua desse colégio que me trazia más lembranças e me dava arrepios.

Hoje eu sou uma pessoa muito mais forte. Confesso que não ligo mais para o que as pessoas pensam de mim. Saio de casa com roupas confortáveis, sem maquiagem, cabelo sem pentear. Sinceramente? Eu realmente não ligo. Todo esse sofrimento que passei me fez eu me aceitar como sou. Aceito a minha altura, meus cabelos volumosos, minhas estrias, meus seios pequenos. Gosto de quem sou. Confesso que gostaria de mudar algumas questões estéticas, mas me sinto confortável comigo mesma. Me sinto bem na minha própria companhia e não sinto necessidade de agradar ninguém. Meu namorado e minha mãe que o digam. Eu me acho bonita, inteligente, determinada e sonhadora. E não preciso provar isso para ninguém.

E a minha resposta para todos os praticantes de bullying bem como a minha mensagem para quem sofreu bullying mas também para quem nunca praticou, nem nunca sofreu, é o seguinte texto da Hariana Meinke:

“Tá sendo a melhor versão de si mesmo pra você e pros outros? Ser gentil e agradável é uma opção que a gente faz todos os dias a cada vez que vai falar com alguém – seja conhecido ou não. Tá fazendo parte da vida do outro com cuidado e assumindo a responsabilidade do efeito que você pode fazer sobre as pessoas ou tá agindo de qualquer jeito e sendo qualquer pessoa? É tudo uma questão de escolha”.

Com amor, Li.

Postado por Lilian

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