VALE DO RIBEIRA: UM DIA EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA

VALE DO RIBEIRA: QUILOMBO IVAPORUNDUVA

16 • 12 • 2016

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Bom, para quem não sabe sou estudante de gestão ambiental. E esse semestre tivemos uma experiência sensacional, que foi uma viagem de campo para o Vale do Ribeira (é uma região que abriga 30 municípios, entre SP e PR). Pegamos um ônibus direto para nosso primeiro destino, o quilombo Ivaporunduva. Ficamos cerca de 7 horas no ônibus, mas quando chegamos lá valeu a pena. Fomos muito bem recebidos. E eu finalmente iria matar uma curiosidade minha, que era a de ir em uma comunidade quilombola.

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(Você sabe que a comida é boa pelo cheirinho do feijão que faz teu estômago roncar. Muitas vezes as mais simples são as mais gostosas. Esse foi o caso! E só decidi colocar aqui porque… estava demais!)

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Essa comunidade quilombola era, antes, uma fazenda liderada pela dona dos escravos, Maria Joana. Porém, ela adoeceu e faleceu e os escravos ficaram sem saber o que fazer. Pensando nisso, se organizaram de maneira que se protegessem dos outros donos de fazenda que queriam se apoderar deles e também desenvolveram uma agricultura de subsistência, bem como aprimoraram a pesca.

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A comunidade em si é bem simples. As casas são humildes, assim como as pessoas. Todo o território em que se situam é área de conservação, portanto eles não podem desmatar a área, porém podem usá-la de maneira que praticam a agricultura de subsistência e plantam bananais para comercializar a banana. A maior parte da renda da população que ali habita vem do auxílio do governo, seguidos pela venda da banana e pela prática do turismo.

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(Na foto: Casa de Farinha)

A pobreza em termos financeiros se contrasta com a riqueza proveniente da natureza que ali é abundante. Na foto, Setembrino, nosso guia. Segundo ele, não trocaria a vida no quilombo por nada, pois mesmo que a vida ali seja simples, possuem o que precisam para sobreviver.

E sim, as pessoas ali também possuem celulares, acesso a redes sociais, etc… Mas é muito diferente do que aqui! Eles não vivem disso, sabe? Os celulares são como uma distração, bem como a televisão. E não um vício, como vemos nas capitais, por exemplo.

O contato com a natureza é intenso, pois ela os cerca aos quatro cantos. Muitos trabalham na agricultura, outros com artesanato, turismo… Apesar disso, os jovens têm tido a oportunidade de sair da comunidade para ir cursar uma faculdade. Isso lhes dá mais garantia e uma situação financeira melhor, porém faz com que a população da comunidade venha a diminuir cada vez mais, colocando em risco seu futuro.

Após nos apresentarem de modo mais geral a comunidade, pudemos escolher uma entre três oficinas: bananal, plantas medicinais e caça&pesca. Optei pela primeira.

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Uma bananeira só dá, ao longo da vida, um cacho de banana como o da foto acima. Após isso, outra bananeira começa a se desenvolver. A maior parte do bananal é orgânico e eles possuem um acordo com algumas prefeituras, para vender diretamente a elas, o que faz com que recebam um valor bem mais significativo do que se vendessem a hipermercados, por exemplo.

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Esse é o coração da banana. Ele solta um líquido que é ótimo para cicatrização e para diarreia, por exemplo.

Após essa aventura, partimos em direção à Iporanga, paramos para jantar e fomos direto para o hotel… Afinal, estávamos mortos! E qual seria a aventura do próximo dia? Conheceríamos o PETAR! <3

Você já conheceu alguma comunidade quilombola? Se sim, me conta tua experiência nos comentários! E se quiser mais detalhes, fique a vontade para perguntar 🙂

Com amor, Li.
Postado por Lilian


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4 Respostas para "VALE DO RIBEIRA: QUILOMBO IVAPORUNDUVA"

Bela - 23 dezembro 2016 às 20:35

Que maravilha de oportunidade que você teve, Lilian!!! Tanto pelo pouquinho que contou da história do quilombo, tanto pela parte da bananeira que eu não imaginava. Sua profissão é maravilhosa!
Não sei quantas vezes mais falarei maravilhoso nesse post HAHAHA mas obrigada pelo curto post como experiência.
Boas festas
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Lilian Lilian dezembro 25th, 2016 às 10:44 pm - respondeu:

Sempre tão linda você! Boas festas e que teu 2017 seja incrível <3

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Patricia Leardine - 23 dezembro 2016 às 22:04

Que legal, amei o post! Na faculdade fiz um trabalho de História Oral no Quilombo Cafundó em Salto de Pirapora (SP). Também já visitei os quilombos da divisa Rio/SP em Paraty. Mas ainda não conheço os quilombos do Vale do Ribeira… Já fiz várias viagens para lá por conta do PETAR. Quando você diz “A pobreza em termos financeiros se contrasta com a riqueza proveniente da natureza que ali é abundante” me lembro de muito que aprendi com cada pessoa que conheci no Parque e nas cidades de Apiaí e Iporanga. Estou curiosa para ver a sua aventura no PETAR! <3 Boa viagem!

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Lilian Lilian dezembro 25th, 2016 às 10:47 pm - respondeu:

Estou escrevendo o post sobre o PETAR agora mesmo, hahaha! Aliás, vou viajar pra lá novamente se tudo der certo. Me conta quais cavernas você mais gostou do parque? E quando eu fui conheci apenas Iporanga, não conheci Apiaí.
Sobre o quilombo, foi uma experiência muito diferente mesmo! Só queria ter tido mais tempo pra conversar com a comunidade local. Outro lugar que já visitei e a experiência foi incrível é uma comunidade indígena que mora ali em Bertioga.
Um beijão!

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