PRECISAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO

PRECISAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO

19 • 02 • 2017

Esses dias eu li um livro que mexeu absurdamente comigo. “Por Lugares Incríveis” é uma história envolvente sobre sentimentos, sobre como olhar para o mundo, como suas escolhas são importantes e como você deve viver sua vida. Mas também é uma história que te arranca lágrimas e que parte seu coração… Isso porque ela trata também um tema que é bem polêmico: o suicídio.

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Vou ser sincera, eu nunca quis cometer suicídio. Mesmo na minha rebelde adolescência, o máximo que eu imaginava que poderia fazer era fugir de casa, hahaha. Mas isso depende muito. Depende de ser humano para ser humano, pois cada um de nós é único. Depende também da estrutura familiar que cada um de nós possui, das amizades, das oportunidades. São uma série de fatores que influenciam nossas vidas, nossas escolhas e, por fim, quem somos.

Uma coisa que achei interessante é que a autora procurou pessoas que tentaram cometer suicídio alguma vez. Ela colocou algumas informações sobre isso ao longo do livro e o que me marcou foi saber que:

Quando a pessoa quer cometer suicídio ela não pensa em mais ninguém. Não pensa na família, nos amigos. Ela só pensa nela mesma. Ela só quer acabar com o sofrimento interno que a assombra. E, muitas vezes, acha que é um estorvo no mundo. Que é um problema e que só dá problema… Ela quer que tudo simplesmente acabe.

Não, não sou a favor do suicídio. Acredito piamente que devemos combatê-lo. Mas só poderemos combatê-lo se a gente começar a se conscientizar sobre ele. Começar a conversar abertamente sobre isso. E enfrentar muitos dos males que influenciam para que uma pessoa se suicide, como o  bullying, depressão, dentre outros.

Acho inclusive que movimentos como o Setembro Amarelo são extremamente importantes para a conscientização em massa sobre o suicídio. O setembro amarelo é um movimento mundial que ocorre no Brasil desde 2014.

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(Tirei essa foto na Casa das Rosas esses dias e postei ela aqui porque foi exatamente o lugar onde minha amiga tirou a última foto que postou no Instagram com a seguinte legenda “saying good bye on a night like this”).

Sei que muitas pessoas não sabem o que é ter uma pessoa que você ama levada pelo suicídio. Mas eu sou uma das que sei. Uma grande amiga minha se suicidou em 15 de setembro de 2015. Na maior parte do tempo não acredito que ela realmente se foi e tento não pensar tanto sobre isso para que eu não seja devorada pelas lágrimas. Sinto saudades dela. Da maneira como a gente tentava se surpreender nos aniversários e natal. Das nossas conversas, do abraço dela que era tão presente. Daquele sorriso lindo e da gargalhada que fazia você querer rir tão gostoso assim. E aí você pára pra pensar… Ela era doce, generosa, carinhosa, tímida. Em um momento de desespero, se foi. E quem aqui ficou se culpou por não ter estado mais presente. Por não ter notado. Por não tê-la salvado. Eu senti tudo isso. Eu ainda sinto. Por vezes, tudo o que queria era só mais um abraço.

Parece serem poucas, mas são muitas as pessoas que se suicidam. E na maior parte das vezes? São jovens. Jovens que se sentem perdidos, assustados, amedrontados. Precisamos ter empatia também. Tudo o que a família de alguém que se suicidou NÃO quer ouvir é que a pessoa quis aquilo. Que a pessoa desejou aquilo pra si mesma. Que eles poderiam ter evitado.

Drogas matam almas; armas matam pessoas; doenças mentais e problemas psicológicos fazem com que as pessoas se matem. Mas julgamentos desnecessários matam a empatia, sufocam o amor e provocam dor.

Concordam que precisamos falar mais sobre o suicídio?

Com amor, Li.

Postado por Lilian


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7 Respostas para "PRECISAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO"

Milena - 24 fevereiro 2017 às 13:21

Com certeza concordamos! Acho que as pessoas tem uma dificuldade muito grande em aceitar que a depressão existe e que, quando uma pessoa não aguenta mais e se suicida, ela é uma vítima e nada além disso. Tem gente que, pode acontecer o que for, ainda vai achar que tudo isso é mimimi e que pode ser evitado se a pessoa “tomar vergonha na cara”. Isso é o mais triste, pq só dificulta o processo de cura de quem está passando pelo o que eu penso que deve ser um sofrimento absurdo, quase que impossível de se livrar.

Mas, por outro lado, tenho uma única ressalva sobre o Setembro Amarelo: não podemos abrir nossos chats e nossas casas para conversar e tentar ajudar alguém que está com pensamentos suicidas porque não estamos aptos para tal coisa. Ano passado eu vi muita gente confundindo apoio de amigo com ajuda profissional, mesmo a pessoa não tendo certificado nenhum de que pode ajudar. E se acabarmos complicando mais ainda a situação, ao invés de ajudar? Podemos estar com as melhores intenções, mas ainda não muda o fato de que a única ajuda que podemos dar a quem precisa de um amparo assim é muito apoio, abraços, amor e, claro, um redirecionamento a uma ajuda profissional.

Gostei muito do post, aliás. Já tenho o livro aqui comigo e estou bem curiosa para lê-lo.
Beijos <3
literarizandomomentos.blogspot.com

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Lilian Lilian fevereiro 24th, 2017 às 6:33 pm - respondeu:

Exatamente! Só de tentar ter empatia e se colocar no lugar do outro já me dá uma agonia imensa, imagine realmente estar na pele deles?
Nunca tinha olhado por esse lado, em referência ao setembro amarelo. Até porque para mim era mais um mês de conscientização sobre o tema mesmo… O melhor que podemos fazer é sermos bons ouvintes, darmos apoio e bons conselhos, ser amigo mesmo. A gente nem sabe mas as vezes se sentir amado é tudo o que uma pessoa precisa.
Quando ler, me conta o que achou! Um beijo 🙂

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Thaís - 25 fevereiro 2017 às 21:41

Lilian,

Eu já perdi alguém muito especial para o suicídio, e depois disso eu comecei a fazer terapia. Na terapia aprendi muita coisa sobre esse tema, mas a frase que a minha psicóloga disse que mais me marcou foi essa: ”A pessoa que comete suicídio ela quer acabar com a dor. É uma dor insuportável que ela sente. Não é sobre tirar a vida, é sobre acabar com a dor.” Eu fiquei pensando bastante nisso…
O apoio familiar nessas horas é fundamental, colocar todos os julgamentos religiosos de lado e ajudar. Eu conheço pessoas que dizem ”ah, mas ela fica falando que vai se matar só para aparecer”, enquanto na verdade a outra pessoa faz isso como um pedido de ajuda disfarçado. No meu grupo da faculdade no whatsapp uma vez alguém compartilhou uma notícia de suicídio e falou que era falta de Deus, imagine que comprei briga, né? Por isso que concordo com sua reflexão, precisamos falar mais sobre isso, para que quem passa por isso possa pedir ajuda e apoio e não seja julgado.
Gostei muito do tema abordado. Parabéns!
Um beijo. <3

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Lilian Lilian fevereiro 28th, 2017 às 1:44 am - respondeu:

Thais, obrigada por deixar esse comentário aqui! Aliás, já disse que amei teu cabelo ruivo?
Voltando ao assunto, é algo muito triste e também muito difícil. Até hoje eu tento não pensar mais profundamente sobre minha amiga, pois eu desato a chorar e, em relação à ela, não há mais nada que eu possa fazer!
Mas em relação a tantas outras pessoas que pensam em se matar e coisas do tipo, podemos fazer sim alguma coisa. Podemos falar sobre o assunto, prestar apoio e até mesmo dentro de nossas religiões orar/rezar pela pessoa. A decisão é dela e sempre vai ser, já que cada um tem livre arbítrio sobre suas ações, mas se pudermos ajudar, estaremos tornando o mundo um pouquinho melhor 🙂
Um beijo e espero que você esteja bem. Nunca fiz terapia, embora eu queira muito fazer.

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Lívia Madeira - 26 fevereiro 2017 às 16:52

adorei esse post, precisamos msm mt falar sobre suicidio e doenças mentais que podem levar a eles que é realmente algo real e recorrente

http://www.tofucolorido.com.br
http://www.facebook.com/blogtofucolorido

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Lilian Lilian fevereiro 28th, 2017 às 1:40 am - respondeu:

Exatamente 🙂

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UM RETRATO: FEVEREIRO - 05 março 2017 às 19:42

[…] Chorei, chorei, chorei e escrevi um textão que você pode ler aqui. […]

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